Unidade Embrapii CNPEM: R$ 26,4 milhões para transformar resíduos da cana em biometano
Projeto Res2Bio reúne Embrapii, Equinor e CNPEM para desenvolver tecnologias capazes de aumentar a produção de biometano a partir de bagaço, palha, vinhaça e torta de filtro.
O avanço da transição energética brasileira ganhou um novo impulso com o lançamento do projeto Res2Bio, iniciativa que pretende desenvolver tecnologias para ampliar a produção de biometano a partir de resíduos gerados pela indústria sucroenergética. Com investimento total de R$ 26,4 milhões, o projeto reúne a empresa Equinor e o CNPEM, com apoio da Embrapii.
A proposta busca transformar subprodutos da produção de etanol, como bagaço, palha, vinhaça e torta de filtro, em biometano, combustível renovável considerado estratégico para a descarbonização de setores industriais e de transporte. A iniciativa também reforça o potencial da cadeia sucroenergética brasileira como fornecedora de energia renovável de baixo carbono.
Segundo a Embrapii, o projeto tem como objetivo aumentar a eficiência dos processos de conversão biológica desses resíduos em biometano, além de aprimorar etapas de purificação para garantir a qualidade do combustível de acordo com os padrões exigidos pelo mercado.
Potencial para substituir o gás fóssil
O biometano vem ganhando destaque como uma das principais alternativas ao gás natural fóssil, especialmente por sua capacidade de utilizar a infraestrutura já existente de transporte e distribuição de gás. Essa característica reduz a necessidade de investimentos adicionais em adaptação de equipamentos e redes, acelerando sua inserção no mercado energético.
Para o presidente da Embrapii, Alvaro Prata, o Res2Bio demonstra como a inovação pode contribuir simultaneamente para a sustentabilidade ambiental e para a competitividade industrial.
Além da produção de combustível renovável, o projeto também avaliará impactos ambientais, econômicos e sociais da tecnologia, incluindo a redução das emissões de gases de efeito estufa e a melhoria da gestão de resíduos agroindustriais.
Oportunidade para o setor sucroenergético
O Brasil possui uma das maiores cadeias sucroenergéticas do mundo, gerando milhões de toneladas de resíduos agrícolas e industriais todos os anos. A valorização desses materiais para a produção de biometano representa uma oportunidade de aumentar a rentabilidade das usinas, diversificar receitas e contribuir para as metas nacionais de descarbonização.
A expectativa é que os resultados do Res2Bio fortaleçam a bioeconomia nacional, estimulem novas rotas industriais sustentáveis e ampliem a segurança energética do país.
CNPEM liderará desenvolvimento tecnológico
O desenvolvimento da solução será conduzido pelo CNPEM, localizado em Campinas. A instituição possui experiência em biotecnologia aplicada ao aproveitamento de resíduos agroindustriais e agroflorestais para produção de biocombustíveis, bioquímicos e açúcares avançados.
Com o crescimento da demanda por combustíveis renováveis e a expansão do mercado brasileiro de biometano, iniciativas como o Res2Bio reforçam o papel da inovação tecnológica como ferramenta essencial para transformar resíduos em energia limpa e acelerar a transição para uma economia de baixo carbono.



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